terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cordão de Detalhes

Desde a primeira vez que tu te aconchegaste em meus braços
Passou-se um mês de desejos confessados e corpos entrelaçados
Mesmo que a distância insistisse em dizer o contrário
Passou-se um mês como se passasse uma semana
E nesta semana de um mês se passou uma vida inteira em nós
Desde o primeiro dia em que minha mulher se fez orquídea
E meu corpo se tranformou em tempestade
Passou-se uma mês de amor devotado e paixão avassaladora
Mesmo que a distância insistisse em dizer o contrário
Passou-se um mês na espera dos dias que ainda virão
A distância se encurta na proximidade de nossas vontades
No cordão de detalhes que nos amarra um ao outro
Feito de odores, suores, lágrimas, sabores, imagens, abraços...
Recordações dos sentidos que estão além do sentir
Que ficam impregnados na gente como se fossem nós mesmos
Porque são... Porque somos feitos disso que nos consome e alimenta
Porque somos vida refeita além dos sonhos
Porque sonhos existem para serem vida em nossos corpos
Porque nossos corpos vivem os sonhos que nos fazem viver como num sonho
Desde a primeira vez que tu te aconchegaste em meus braços
Mesmo que a distância insistisse em dizer o contrário
Minha orquídea, minha mulher que me fez tempestade
Passou-se um mês... Um mês do amor que ficará em nós para sempre.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Chegada (Fim de Semana)

Quanto tempo se agüenta esperar
Uma pessoa que tu esperas a vida inteira?
Eu acordo às quatro horas da manhã
E corro para buscá-la na rodoviária...
Porque existem amores que vêm de longe
E que a gente espera muito tempo até chegarem
E ficarem bem perto de nós. Dentro de nós.
O ônibus demora um pouco mais do que o previsto
Mas o que é uma hora diante de toda a vida?
Procuro em cada pessoa que desce
Teus olhos que não conheço
E quando vejo, ainda distantes
Sei que estes olhos me amam!
As pessoas ao redor desaparecem
Cruzo metros como se viajasse milhas
E deixo teu corpo se pendurar no meu
Me envolvendo "como uma orquídea"
Abraço com toda a força que eu não tenho
Porque precisamos de força pra sentir a verdade...
Sopra nos meus olhos teus sonhos e verás no meu sorriso que estes sonhos também são meus.

Amores

Tem amores que nascem num olhar
Tem amores que nascem com o tempo
Tem amores de bar
Que a gente escreve em guardanapo
Amores poesia, amores palavras...
Amores bêbados
Platônicos
Tem amores que chegam com a maré
Amores derradeiros!
Os amores são confusos
Mas não precisam ser...
Tem amores diferentes e amores ausentes
Amores não correspondidos
Amores bandidos
Cândidos ou opressivos
Patológicos
Tem amores violentos, sujos, malvados
Amores depravados
Tem uns amores que deixam a gente doente
Mas não sei se isso é amor de verdade...
Tem os amores estranhos
Feios e bonitos
E tem amores queridos
Feitos de flores, beijos e carinhos
Tem amores que não duram
Amores que vem, amores que vão
Amores em vão
Existem amores que pregam a liberdade
E tem aqueles que nos fazem prisioneiros
Há ainda aqueles em que se mata e morre pela pessoa amada
E na mesma medida que há os amores que vivem em guerra
Há os amores que conhecem bem o que é a paz
Tem amores infantis
Tem amores adolescentes
Tem amores que são maduros e enrugados
Amores gelados
Amores quentes
Tem amores que nascem na janela vizinha
Amores secretos e singelos
Tem até aqueles que são piegas
Ah, os amores bregas!
Que fazem a gente chorar vendo novela...
Há ainda aqueles que a gente nega
E aqueles em que não se acerta
E fazem a gente chorar
Amores de pele e de cama
Amores entre putas e sacanas
Amores amigos... Amores irmãos
Amores sem noção do ridículo
Amores que são pura alegria!
Tem os amores distantes
Amores intensos
Errantes
E há amores que são discretos
Concretos e corretos
Que tem casamento na igreja e tudo
Ah! Os amores! Os amores!
Somos todos, lá no fundo, amantes insensatos!
Mordemos com gosto o fruto proibido...
Porque tem amores que bagunçam nossa casa
E invadem o coração sem pedir licença...
(Um amor sempre quer um amor como abrigo)
Existem também os amores que morrem com o tempo
Mas tem amores que duram a vida toda
E há uma multidão de outros amores
E também há você e eu
Únicos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Inspiração Não-Divina

Clarão crepuscular no vão do abismo que nos entorna

Chama-nos aos céus como se nos pegasse pela mão

Nós, crianças ariscas, que gritam em meio ao silêncio

Silenciam quando se fazem necessários os gritos

Como conhecer o limite de nossa finitude

Quando se chora por ela?

Como desejar ser eterno se acreditamos em deuses?

Fazer dos próprios feitos a beleza de ser humano

Amando mais do que o corpo pode suportar

Nunca deixe extrair de seu peito aquilo que é só seu

Se não desejas saber do que estou falando...

As palavras não conseguem dizer tudo

Eis a angústia do poeta! Eis a dor que não cessa!

Mas a noite conclama as estrelas a dançar

E ninguém aqui se sentirá sozinho neste baile celestial

Porque o meu peito detém em si o que é só meu

E deseja esconder do mundo

A falta de fé que sempre caminhava comigo

E mostrar a todos em minha volta o quanto se é feliz amando!

Compartilho contigo a saída do abismo!

Compartilho minha vida toda, sempre, em direção à beleza!

Clarão crepuscular que se esconde nos olhos da noite

Sei que guarda em si o fogo e a luz da alegria

Nos mostrará um dia seu segredo?

Eu o conheço! Feito Prometeu, eu escuto a Nona Sinfonia!

Eu estou em silêncio com uma vontade infinita de gritar

Liberto da dor? Liberto da dor será?

Ah, tempo, tempo! Passe depressa! Faça os dias serem segundos

E verei como as luzes do céu embalam meu sono infantil

Dizendo que guardou tudo isso a vida toda pra mim!

E o silêncio será apenas o repouso da alegria na forma de sorriso

O limite está sim nas palavras

Reconhecerá o poeta ao lembrar disso tudo

Mas saberá também que procurou sempre a melhor poesia

Porque a vida lhe retribuiu com a inspiração merecida

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sonho de Nós Juntos

O Beijo
(Gustav Klint)


Mesmo cansados, meus olhos felizes não se fecham
Deslumbram-se com fotos e palavras distantes
Que abraçam meu corpo como se tu estivesses perto
E estás, de certa maneira...
Tudo que se diz "é" pode ser entendido como "talvez"
Mas tudo aquilo que acontece simplesmente "é"
Não precisa se pensar em mais nada!
Para a relatividade do "talvez" resta apenas o tempo:
Talvez demorem os dias a passar...
Talvez os dias passem bem depressa...
(Mas acho difícil a ansiedade deixar isso acontecer)
A saudade daquilo que desejo apenas "é"!
E conto e reconto o tempo
Enquanto o dia teima em não querer acabar
Talvez meus olhos possam descansar num sonho de nós juntos
Onde a saudade se extingüe num abraço...
Sacia minha sede com tua beleza mais pura!
Sacia minha pele com tuas palavras mais sinceras!
Talvez meus olhos possam descansar num sonho de nós juntos
Quando a saudade se esvair num abraço
À luz de teus olhos, ao sabor de tua boca...
Ao som da tua voz no meu ouvido ser, porque "é"!
Porque somos o desejo além das palavras
Porque seremos a imagem de um beijo que nunca termina

terça-feira, 7 de julho de 2009

Todos os Dias

Parto daqui em dias contados ansiosamente por meus dedos
(Todos os dias)
Desejando o encontro dos teus olhos, do teu cheiro...
(Todos os dias)
Buscando em algum lugar da memória tua voz perto de meu ouvido
(Todos os dias)
Chego em casa como se estivese partindo para te encontrar
(Todos os dias)
Te abraçando para fazer a saudade dizer que acabou
(Todos os dias)
Essa saudade que eu nem sei explicar!

Momentos de Solidão

Durante os primeiros momentos de solidão
Eu pensava que as horas se diluiam no meu corpo
Como um remédio amargo num copo cheio de sede
Bebi cada segundo como se bebesse meu sangue
Cheirei uma enorme carreira de números absurdos
E esperei os minutos virarem horas, virarem dias...
Seguem-se semanas de alucinações e vertigens impiedosas
Passados 27 anos, me acostumei ao sabor na boca
Eu, que ao nascer, senti os primeios momentos
Como momentos eternos de solidão
Eu, que ao morrer - já acostumado ao frio -
Descansarei sozinho com minhas lembranças

domingo, 28 de junho de 2009

Ressacas

1. Despertar

Riso, melancolia... Uma pitada amarga na boca
O sono virá para derrubar o que a noite construiu
Com tijolos de álcool e cimento de tabaco
O dia acorda azedo, alheio a tudo isso
E recomeça sua jornada de volta ao fundo do poço

2. Mais Uma!

Recorda-te disso também nos tempos de comemorar
Lembra-te que as coisas terminam sem dar explicações
Como uma porta que se fecha com a chave por dentro

3. Dentro do Copo

O mar leva embora,
Mas sempre torna à beira da praia...
O mar esconde muitos mistérios.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Um Dia de Cada Vez...

Guardei nos meus olhos teu rosto que de perto ainda não vi
Mas lembro dele sempre como se a conhecesse todos os dias
Um dia de cada vez... Já diria o velho, na idade da sabedoria
Dizem que a memória nos engana ou que os olhos desejam demais
Mas prefiro pensar que a memória escolhe o que os olhos sabem
O que se desconhece precisa ser conhecido... Sim, falo de amor!
Um dia de cada vez... Já diria eu, no auge da ventania!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Limite do Poeta

Algumas coisas não se explicam sem palavras
Algumas coisas nas palavras perdem o sentido
No ofício de poetar é bom reconhecer seu limite
Mas é melhor ainda saber até onde vai a poesia

Distante

Distante é uma palavra que não abrevia a emoção
Distante não é apenas uma palavra
Distante é uma idéia de esperança e o vazio da solidão

terça-feira, 26 de maio de 2009

Campos Floridos

Um sol quente impera sobre o campo seco
As enxadas se levantam para o trabalho
Combatem as lágrimas da fome com suor
Resposta viva àqueles que levantam espingardas
E fazem da morte sua batalha
Nossas palavras estão em nossos braços
Nossa vontade está no olhar de nosso filho
Que ainda nem nasceu... E que virá...
Virá dizer "aos que virão depois de nós"
Que tudo isso é nosso!
Porque isso tudo será de vocês também!
Um dia o sol se acalma... Um dia a seca acaba...
Lavraremos as folhas virgens com suor e lágrimas
E a chuva virá como se fosse um filho
Eu consigo ver! Eu consigo ver! Eu, teu filho!
As lágrimas já não sangram...
Já podemos ver de novo o campo florido
Já podes ver os netos correrem livres atrás dos cavalos